Como dimensionar a ventilação do esgoto pela NBR 8160
O ramal de ventilação (Tabela 8), a coluna de ventilação (Tabela 2), o barrilete, o ventilador primário e a distância do sifão (Tabela 1), com um exemplo resolvido.
A ventilação é a parte do esgoto que leva ar, não água: ela impede que o sifão de cada aparelho seque e deixe o cheiro voltar. Dimensionar é achar o diâmetro de cada ramal de ventilação e de cada coluna, e conferir a distância do sifão ao tubo ventilado. São cinco passos.
O que a ventilação faz
Todo aparelho tem um fecho hídrico: a água parada no sifão (ou na caixa sifonada), que tapa o cano e segura o gás do esgoto. Quando uma descarga desce pelo tubo, ela empurra e puxa o ar de dentro da tubulação. Sem um caminho para esse ar, a pressão muda e a água do sifão é sugada ou expulsa: o fecho se rompe e o cheiro entra no banheiro. A ventilação dá esse caminho, ligando a tubulação à atmosfera, acima do telhado.
- Ventilador primário — o próprio tubo de queda, prolongado acima da cobertura com o mesmo diâmetro. É a ventilação mais simples: o ar entra por cima do tubo.
- Ramal de ventilação — o tubo que sai de perto do sifão de um aparelho (ou de uma caixa sifonada) e leva o ar até um tubo ventilado. Vários ramais podem se juntar antes de chegar lá.
- Coluna de ventilação — o tubo vertical só de ar, que nasce num pavimento e sobe até acima da cobertura. Serve quando os ramais não alcançam o tubo de queda, ou quando o tubo de queda não é prolongado.
- Barrilete de ventilação — quando duas ou mais colunas se unem num pavimento e seguem juntas até a atmosfera.
- Válvula de admissão de ar (VAA) — a alternativa onde não dá para subir uma coluna: deixa o ar entrar, mas não sair.
Quem manda é o peso do esgoto que cada trecho ventila, em UHC (a unidade de Hunter de contribuição), e se há bacia sanitária nele. A coluna pede, além disso, o comprimento dela.
- Ramal de ventilação: o diâmetro sai da Tabela 8, pelas UHC do que ele ventila e por ter ou não bacia sanitária.
- Coluna de ventilação: o diâmetro sai da Tabela 2, pelo diâmetro do tubo de queda (ou do ramal de esgoto) que ela serve, pelas UHC dele e pelo comprimento L: cada diâmetro de coluna tem um comprimento máximo.
- Distância do sifão: do desconector até o tubo ventilador, no máximo o que a Tabela 1 dá para o diâmetro do ramal de descarga.
- Nada diminui: um ramal nunca é menor que o ramal que chega nele, e a coluna nunca é menor que o maior ramal que recebe.
Passo 1 · O ramal de ventilação (Tabela 8)
Comece por quem precisa de ar: todo desconector (4.3.11). É a caixa sifonada, o aparelho com sifão próprio que não cai numa caixa (a bacia sanitária) e, no pavimento, a caixa sifonada e a caixa de gordura, cujo septo submerso também é fecho hídrico. Some as UHC do que cada desconector recebe, veja se há bacia e leia o diâmetro na Tabela 8. Onde dois ramais se juntam, some as UHC dos dois e leia de novo; o trecho de depois nunca é menor que os de antes.
| Grupo de aparelhos | UHC até | DN do ramal de ventilação |
|---|---|---|
| Sem bacia sanitária | 12 | 40 |
| Sem bacia sanitária | 18 | 50 |
| Sem bacia sanitária | 36 | 75 |
| Com bacia sanitária | 17 | 50 |
| Com bacia sanitária | 60 | 75 |
Passo 2 · O ventilador primário
Agora decida para onde o ar vai. O caminho mais curto é o tubo de queda prolongado acima da cobertura, com o mesmo diâmetro: é o ventilador primário. Mas só o pavimento mais alto que descarrega nele pode ligar a ventilação ali: acima do último que descarrega, o tubo não leva mais esgoto e segue só como ventilação. Nos pavimentos de baixo, a ventilação vai para uma coluna (passo 3) ou para uma VAA.
Passo 3 · A coluna de ventilação (Tabela 2)
Onde a ventilação não chega ao tubo de queda, ela sobe por uma coluna de ventilação, que nasce naquele pavimento e vai até acima da cobertura. Para escolher o diâmetro, anote três coisas: o diâmetro do tubo de queda (ou do ramal de esgoto) cujo esgoto ela ventila, as UHC de tudo o que ela ventila, em todos os andares, e o comprimento L. Na Tabela 2, ache a linha do diâmetro do tubo e das UHC; cada diâmetro de coluna tem ali um comprimento máximo. Pegue o menor diâmetro cujo máximo é maior ou igual a L.
| DN do tubo servido | UHC até | Comprimento máximo da coluna, por DN (m) |
|---|---|---|
| 40 | 8 | Ø 40: 46 |
| 40 | 10 | Ø 40: 30 |
| 50 | 12 | Ø 40: 23 · Ø 50: 61 |
| 50 | 20 | Ø 40: 15 · Ø 50: 46 |
| 75 | 10 | Ø 40: 13 · Ø 50: 46 · Ø 75: 317 |
| 75 | 21 | Ø 40: 10 · Ø 50: 33 · Ø 75: 247 |
| 75 | 53 | Ø 40: 8 · Ø 50: 29 · Ø 75: 207 |
| 75 | 102 | Ø 40: 8 · Ø 50: 26 · Ø 75: 189 |
| 100 | 43 | Ø 50: 11 · Ø 75: 76 · Ø 100: 299 |
| 100 | 140 | Ø 50: 8 · Ø 75: 61 · Ø 100: 229 |
| 100 | 320 | Ø 50: 7 · Ø 75: 52 · Ø 100: 195 |
| 100 | 530 | Ø 50: 6 · Ø 75: 46 · Ø 100: 177 |
| 150 | 500 | Ø 75: 10 · Ø 100: 40 · Ø 150: 305 |
| 150 | 1 100 | Ø 75: 8 · Ø 100: 31 · Ø 150: 238 |
| 150 | 2 000 | Ø 75: 7 · Ø 100: 26 · Ø 150: 201 |
| 150 | 2 900 | Ø 75: 6 · Ø 100: 23 · Ø 150: 183 |
| 200 | 1 800 | Ø 100: 10 · Ø 150: 73 · Ø 200: 286 |
| 200 | 3 400 | Ø 100: 7 · Ø 150: 57 · Ø 200: 219 |
| 200 | 5 600 | Ø 100: 6 · Ø 150: 49 · Ø 200: 186 |
| 200 | 7 600 | Ø 100: 5 · Ø 150: 43 · Ø 200: 171 |
| 250 | 4 000 | Ø 150: 24 · Ø 200: 94 · Ø 250: 293 |
| 250 | 7 200 | Ø 150: 18 · Ø 200: 73 · Ø 250: 225 |
| 250 | 11 000 | Ø 150: 16 · Ø 200: 60 · Ø 250: 192 |
| 250 | 15 000 | Ø 150: 14 · Ø 200: 55 · Ø 250: 174 |
| 300 | 7 300 | Ø 150: 9 · Ø 200: 37 · Ø 250: 116 |
| 300 | 13 000 | Ø 150: 7 · Ø 200: 29 · Ø 250: 90 |
| 300 | 20 000 | Ø 150: 6 · Ø 200: 24 · Ø 250: 76 |
| 300 | 26 000 | Ø 150: 5 · Ø 200: 22 · Ø 250: 70 |
Passo 4 · O barrilete
Em prédios com mais de uma coluna, elas podem se unir num pavimento e seguir juntas até a atmosfera: é o barrilete de ventilação (3.4, 4.3.15, 5.2.2 e). Cada coluna termina onde entra no barrilete; dali para cima, o tubo é um só. A conta é a mesma da coluna, com três cuidados: as UHC são a soma de tudo o que as colunas servem; o comprimento é o percurso mais longo, da base da coluna mais distante até o terminal; e o barrilete não é menor que a maior coluna que recebe.
Passo 5 · A distância do sifão (Tabela 1)
Por fim, no desenho: o ramal de ventilação tem de sair perto do desconector. A distância do sifão até a ligação do tubo ventilador que o atende tem um máximo, que depende do diâmetro do ramal de descarga do aparelho. Quanto maior o ramal, mais longe pode ficar.
| DN do ramal de descarga | Distância máxima |
|---|---|
| 40 | 1,00 m |
| 50 | 1,20 m |
| 75 | 1,80 m |
| 100 | 2,40 m |
Detalhes que a norma exige
- Todo desconector é ligado a um elemento ventilado (4.3.11): a caixa sifonada, a bacia, a caixa de gordura. Aparelho sem ventilação é impedimento no app.
- Toda tubulação de ventilação sobe com aclive mínimo de 1%, para o líquido que entrar nela escoar de volta ao ramal de origem (4.3.13).
- A ligação do ramal de ventilação em tubulação horizontal é feita acima do eixo dela (4.3.16).
- O terminal fica a pelo menos 0,30 m acima da cobertura, ou 2,00 m quando a laje é usada para outros fins; a pelo menos 4,00 m de janelas, portas e vãos, salvo se elevado 1,00 m acima das vergas; com chaminé, tê ou outro dispositivo que impeça a entrada de chuva (4.3.6).
- O tubo de queda só serve de ventilador primário no pavimento mais alto que descarrega nele; um tubo que ainda não recebe esgoto não ventila nada.
- A VAA fica em local acessível, acima do ramal que ventila, com modelo e capacidade do fabricante.
Erros comuns
- Ler a Tabela 8 na parte errada. Com bacia no grupo, a tabela começa em Ø 50: 9 UHC com bacia é Ø 50, não Ø 40.
- Contar a coluna uma vez só. As UHC da coluna somam todos os andares que ela serve; o pavimento tipo entra uma vez por andar.
- Medir a coluna até o último piso. O comprimento vai até o terminal: some o trecho acima da cobertura (0,30 m, ou 2,00 m em laje usada).
- Prolongar o tubo de queda e ligar nele de qualquer pavimento. Só o mais alto que descarrega no tubo pode usá-lo como ventilação; os de baixo vão para uma coluna.
- Esquecer a caixa de gordura. O septo submerso é fecho hídrico: ela é desconector e é ventilada como os outros.
- Diminuir o diâmetro no caminho. O ramal depois de um encontro não é menor que os que chegam; a coluna não é menor que o maior ramal que recebe.
- Sair longe do sifão. Uma bacia a 3,00 m do tubo ventilador passa dos 2,40 m da Tabela 1; um lavatório a 1,50 m passa de 1,00 m.
Como o AquaFlow faz
Dentro do ambiente (tutorial Passo 2 · Ligações), cada desconector já nasce ligado à ventilação; o app soma as UHC, vê se há bacia e aplica a Tabela 8 a cada trecho, nunca menor que o que chega. Quando o grupo passa da tabela, nasce outra saída de ventilação sozinha. No pavimento (tutorial A camada de ventilação), você leva cada ventilação até o destino: outra ventilação (as duas viram um ramal, RV, pela Tabela 8), o tubo de queda prolongado (só no pavimento mais alto que descarrega nele), uma coluna (Tabela 2, com o comprimento pelas alturas dos pavimentos) ou uma VAA. Coluna sobre coluna forma o barrilete. Ventilação solta é impedimento; coluna vazia só avisa. A distância da Tabela 1 não é medida: vai como texto no memorial, junto com as tabelas usadas.
- 1A ventilação do banheiro suíte: ≥ Ø 50 e 9 de 17 UHC pela Tabela 8
- 2A caixa sifonada do pavimento, ventilada à parte: 6 de 12 UHC, Ø 40
- 3TQ-1 prolongado acima da cobertura: o ventilador primário, em DN 100
- 4CV-1: a coluna que vem do térreo, com os 9,30 m e as 22 UHC da Tabela 2
- 5TG-1: ninguém liga ventilação nele, então não é prolongado
- 1O nome da coluna
- 2A conta pela Tabela 2: as UHC, o tubo servido e o comprimento L
Referências
- ABNT NBR 8160:1999 — Sistemas prediais de esgoto sanitário: projeto e execução. Tabela 1 (distância do desconector ao tubo ventilador), Tabela 2 (coluna de ventilação), Tabela 8 (ramal de ventilação), itens 4.3.6, 4.3.11, 4.3.13, 4.3.15, 4.3.16 e 5.2.2.