Como dimensionar a caixa de gordura pela NBR 8160

O tipo da caixa pelo número de cozinhas (pequena, simples, dupla ou especial), as medidas mínimas de cada uma, a saída e um exemplo resolvido.

Nesta página
  1. O que a caixa de gordura faz
  2. A regra
  3. 1 · Contar as cozinhas que chegam
  4. 2 · Escolher a caixa (5.1.5.1.1)
  5. 3 · As medidas da caixa (5.1.5.1.3)
  6. 4 · A saída da caixa
  7. Detalhes que a norma exige
  8. Erros comuns
  9. Como o AquaFlow faz
  10. Referências

A caixa de gordura segura a gordura das pias de cozinha antes de ela chegar à rede. Dimensionar é contar as cozinhas que caem na caixa e, com esse número, escolher o tipo: pequena, simples, dupla ou especial. São quatro passos.

O que a caixa de gordura faz

O esgoto da pia de cozinha entra na caixa e fica parado um pouco. A gordura, mais leve que a água, sobe e fica presa num compartimento; a água sai por baixo de um septo (uma parede que mergulha na água) e segue limpa de gordura para a caixa de inspeção. Se a gordura fosse direto para a tubulação, ela esfriaria, endureceria e entupiria o cano. Por isso o esgoto das pias de cozinha e das máquinas de lavar louça, chamado gorduroso (G), corre separado do resto até passar pela caixa.

A gordura boia e fica presa antes do septo; a água sai por baixo dele, sem gordura, para a caixa de inspeção. As medidas são as da dupla (CGD) do exemplo; o quadro ao lado é a menor caixa que serve para cada número de cozinhas.

A regra

número de cozinhas → tipo da caixa (CGP, CGS, CGD ou CGE)
NBR 8160:1999, 5.1.5.1.1. Quem manda é o número de cozinhas que caem na caixa, não a UHC. Conferida contra a norma em 24/09/2026.
  • CGP — caixa de gordura pequena: para uma cozinha só.
  • CGS — caixa de gordura simples: para uma ou duas cozinhas.
  • CGD — caixa de gordura dupla: de duas a doze cozinhas.
  • CGE — caixa de gordura especial: para mais de doze cozinhas, ou para cozinha de restaurante, escola, hospital, quartel e afins, mesmo que seja uma só. É a única que tem conta de volume: V = 2 · N + 20 (passo 3).

Passo 1 · Contar as cozinhas que chegam

Cozinha é o ambiente cuja saída leva gordura. A pia e a máquina de lavar louça da mesma cozinha contam uma vez, porque são da mesma cozinha. Conte tudo o que chega na caixa: a cozinha que cai direto nela e as que descem por um tubo de gordura (TG) e chegam com ele. Em prédio, cada andar é uma cozinha: um pavimento tipo com dois andares traz duas.

PeçaUHCØ (mm)Natureza
Pia de cozinha residencial350S G
Pia de cozinha industrial – preparação350S G
Pia de cozinha industrial – lavagem450S G
Máquina de lavar louças250S G
As peças do banco do AquaFlow que levam gordura (G). A UHC delas dimensiona o ramal e o tubo de gordura; a caixa se dimensiona pela cozinha, não pela UHC.

Passo 2 · Escolher a caixa (5.1.5.1.1)

Com o número de cozinhas, a norma diz quais tipos servem. Quando serve mais de um, o menor atende; o maior é uma escolha de projeto (espaço, limpeza mais espaçada). A especial serve sempre.

Cozinhas que chegamTipos que servem
1pequena (CGP), simples (CGS) ou especial (CGE)
2simples (CGS), dupla (CGD) ou especial (CGE)
3 a 12dupla (CGD) ou especial (CGE)
mais de 12só a especial (CGE)
cozinha de restaurante, escola, hospital, quartel…a especial (CGE), mesmo com uma cozinha só
NBR 8160:1999, 5.1.5.1.1 — o tipo da caixa pelo número de cozinhas. Conferida contra a norma em 24/09/2026.

Passo 3 · As medidas da caixa (5.1.5.1.3)

Cada tipo tem medidas mínimas: o diâmetro interno (as três menores são cilíndricas), a parte do septo que fica mergulhada, a capacidade de retenção de gordura e o diâmetro mínimo do tubo de saída. A caixa comprada ou construída tem de atender a todas.

TipoDiâmetro internoParte submersa do septoRetenção de gorduraDN mínimo da saída
CGP – pequena0,30 m0,20 m18 L75
CGS – simples0,40 m0,20 m31 L75
CGD – dupla0,60 m0,35 m120 L100
CGE – especialprismática, de base retangular0,40 mV = 2 · N + 20100
NBR 8160:1999, 5.1.5.1.3 — dimensões mínimas de cada tipo. Conferida contra a norma em 24/09/2026.

A especial não tem medida pronta: o volume da câmara de retenção sai de uma conta, e a caixa é prismática (de base retangular), com o septo a 0,20 m da saída e altura molhada de 0,60 m (5.1.5.1.3 d).

V = 2 · N + 20
Só na especial (CGE). O resultado é em litros.
  • N — o número de pessoas servidas pelas cozinhas no turno de maior afluxo (o pico do refeitório, por exemplo).
  • 20 — a reserva fixa, em litros, que toda especial tem.

Passo 4 · A saída da caixa

O que sai da caixa é esgoto sem gordura. Ele vai para uma caixa de inspeção (CI) ou um poço de visita (PV), nunca para outro tubo de gordura nem direto para a destinação final. O tubo de saída tem, no mínimo, o DN da tabela do passo 3: 75 na pequena e na simples, 100 na dupla e na especial.

Detalhes que a norma exige

  • Tubo de gordura separado. Em prédio, as pias de cozinha e as máquinas de lavar louça descem por um tubo de queda só delas, o TG, que termina numa caixa de gordura (4.2.4.4). O TQ nunca recebe gordura, e o pé do TG só pode cair numa CG.
  • O que entra e o que não entra. A caixa recebe só esgoto gorduroso. Bacia, lavatório, chuveiro e tanque não entram nela; a caixa sifonada do pavimento nunca leva gordura. E a gordura nunca entra numa CI, num PV nem na destinação final sem passar antes pela caixa.
  • Ventilação. O septo mergulhado é um fecho hídrico: a caixa de gordura é um desconector (3.14, 5.1.5.1.2) e, como todo desconector, tem de ser ligada a um elemento ventilado (4.3.11). O ramal de ventilação dela se dimensiona pela UHC que chega na caixa, pela Tabela 8.
  • Inspeção. Do ramal da caixa de gordura até um dispositivo de inspeção, no máximo 10 m. O app não mede essa distância: ela vai escrita no memorial.

Erros comuns

  • Dimensionar pela UHC. A UHC dimensiona o ramal e o tubo de gordura. A caixa se escolhe pelo número de cozinhas.
  • Contar a pia e a lava-louças como duas cozinhas. São dois aparelhos da mesma cozinha: contam uma vez.
  • Esquecer os andares de cima. Um tubo de gordura traz uma cozinha por andar. O pavimento tipo que vale para 4 andares traz 4 cozinhas, não 1.
  • Ligar a cozinha no tubo de queda. A gordura vai para o TG, e o TG vai para a CG. Gordura no TQ entope a rede.
  • Mandar a caixa de gordura direto para a rua. O que sai dela passa primeiro por uma caixa de inspeção ou poço de visita.
  • Escolher a pequena e depois acrescentar cozinhas. Com duas cozinhas a pequena já não serve. Ao mexer no projeto, confira o tipo de novo.
  • Especial sem o número de pessoas. A CGE não tem medida de tabela: sem o N, não há volume.
  • Caixa sem ventilação. O septo é um fecho hídrico; sem ventilação, ele pode ser sifonado e deixar os gases passarem.

Como o AquaFlow faz

Você liga as cozinhas no tubo de gordura e o tubo na caixa, pavimento por pavimento (tutorial Passo 3 · Prumadas e rede). O app conta as cozinhas que chegam em cada caixa (uma por andar, pelo tubo de gordura e pelas que caem direto), diz quais tipos servem e adota o menor; você pode escolher outro, e a especial pede o número de pessoas. Se o tipo escolhido deixou de servir porque chegou mais cozinha, o app marca pendência e não troca sozinho. Ele impede gordura no TQ, na CI e na destinação final, e cobra a ventilação da caixa na camada de ventilação. O memorial sai com a caixa, as cozinhas, o tipo, a retenção e a saída.

  1. 1O pé do TQ-1 na CI-1: esgoto sem gordura, fora da conta da caixa
  2. 2O pé do TG-1 na CG-1, com as 2 cozinhas do tipo; a CG-1 sai em DN 100 para a CI-1
  3. 3A CI-1 na destinação final
  4. 4A destinação final: rede de esgoto ou sistema individual

Referências

  • ABNT NBR 8160:1999 — Sistemas prediais de esgoto sanitário: item 5.1.5.1 (caixa de gordura: tipos e dimensões mínimas).
  • ABNT NBR 8160:1999 — itens 3.14 e 4.3.11 (desconector e ventilação), 4.2.4.4 (tubo de gordura) e Tabela 8 (ramal de ventilação).