Caixa de inspeção e poço de visita pela NBR 8160: quando usar cada um, medidas e distâncias

Onde a rede precisa de caixa, o 1,00 m de profundidade que separa a CI do PV, as medidas mínimas, as distâncias de 25, 15, 10 e 2,00 m e o trecho que sai de cada caixa.

Nesta página
  1. O que a caixa faz
  2. A regra
  3. 1 · Onde a rede precisa de caixa
  4. 2 · A profundidade decide: CI ou PV
  5. 3 · As medidas mínimas
  6. 4 · O que entra e o que sai (Tabela 7)
  7. Detalhes que a norma exige
  8. Erros comuns
  9. Como o AquaFlow faz
  10. Referências

A caixa de inspeção é o ponto da rede de esgoto, no piso ou enterrada, onde se abre, se olha e se desentope; quando ela passa de 1,00 m de profundidade, a NBR 8160 manda fazer poço de visita. Dimensionar é decidir onde cada caixa fica, se é CI ou PV, as medidas mínimas e o diâmetro do trecho que sai dela. São quatro passos.

O que a caixa faz

Dentro do prédio, o esgoto desce pelos tubos de queda. No pavimento mais baixo ele corre deitado, enterrado ou sob o piso, até sair do lote. Esse trecho não se vê. A caixa é a janela dele: um ponto de parada, com tampa, onde se abre para inspecionar, desentupir e limpar sem quebrar o piso.

  • Inspeção e limpeza. Pela caixa entra a vara, a mangueira ou o equipamento de desobstrução. Por isso a norma limita a distância entre caixas: o trecho entre duas tem de ser alcançável de uma delas.
  • Junção de trechos. Tudo o que chega ao piso se encontra numa caixa: o pé do tubo de queda, a saída da caixa de gordura, o ramal de um lavabo do térreo, outra caixa. Dela sai um trecho só, o subcoletor ou o coletor predial.
  • A CI e o PV. A caixa de inspeção (CI) é a rasa, de até 1,00 m. Quando a rede desce mais que isso (terreno em declive, coletor longo, destinação funda), a caixa vira poço de visita (PV): mais larga, com degraus para descer e tampa vedada. Na rede, os dois fazem o mesmo papel.
A profundidade é o que separa uma da outra: até 1,00 m é caixa de inspeção; mais fundo que isso, poço de visita, com 1,10 m, degraus e tampa vedada. Note, na planta, as três distâncias que a norma limita.

A regra

profundidade ≤ 1,00 m → caixa de inspeção · profundidade > 1,00 m → poço de visita
NBR 8160:1999, 5.1.5.3. A profundidade é a única coisa que separa uma da outra; o que entra e o que sai é igual.
  • Caixa de inspeção (CI) — profundidade máxima de 1,00 m; base com lado, ou diâmetro, de pelo menos 0,60 m (5.1.5.3).
  • Poço de visita (PV) — onde a profundidade passa de 1,00 m. Seção prismática com dimensão mínima de 1,10 m, ou cilíndrica com diâmetro interno mínimo de 1,10 m; degraus de acesso ao interior; tampa removível com perfeita vedação; fundo que assegure rápido escoamento (5.1.5.3).
  • As distâncias — no máximo 25 m entre dois dispositivos de inspeção; 15 m da ligação com o coletor público até a inspeção mais próxima; 10 m do ramal de bacia sanitária, de caixa de gordura ou de caixa sifonada até uma inspeção; e, em edificação com mais de dois pavimentos, a CI a pelo menos 2,00 m do tubo de queda que cai nela.

Passo 1 · Onde a rede precisa de caixa

Antes de medir, decida onde as caixas ficam. A regra prática: caixa onde o esgoto chega ao piso (o pé de cada tubo de queda), onde dois trechos se juntam, onde o coletor muda de direção e, no caminho longo, a cada 25 m. Na saída do lote, a última caixa fica perto da ligação com a rede pública ou do tratamento. As distâncias da norma são estas:

OndeDistância
Entre dois dispositivos de inspeçãono máximo 25 m
Da ligação do coletor predial com o coletor público até a inspeção mais próximano máximo 15 m
Do ramal de bacia sanitária, de caixa de gordura ou de caixa sifonada até uma inspeçãono máximo 10 m
Da caixa de inspeção ao tubo de queda que cai nela, em edificação com mais de dois pavimentospelo menos 2,00 m
No desvio do coletor predial ou do subcoletor (ângulo central de até 45°)um dispositivo de inspeção junto
NBR 8160:1999 — as distâncias entre dispositivos de inspeção, como o memorial do AquaFlow as repete. O desvio é o item 4.2.5.1. O app não mede nenhuma delas: vão como exigência no memorial.

Passo 2 · A profundidade decide: CI ou PV

A profundidade de cada caixa vem da rede. O coletor desce com a declividade (a 1%, 1 cm por metro), e cada caixa fica um pouco mais funda que a anterior: 25 m a 1% são 25 cm a mais. Some a profundidade do primeiro trecho à queda ao longo do caminho. Enquanto a caixa fica em até 1,00 m, é caixa de inspeção. No ponto em que passa de 1,00 m, é poço de visita, e dali para a frente os outros também, porque a rede não sobe de volta.

O poço de visita não muda a conta da rede. Ele recebe o que a CI recebe e cai onde a CI cai; só as medidas e o acabamento são outros. No AquaFlow, o PV é escolha sua ao criar a caixa: o app não calcula profundidade.

Passo 3 · As medidas mínimas

Decidido o tipo, aplique as medidas do 5.1.5.3. São mínimos: a caixa pode ser maior, para caber os bocais que chegam ou para a limpeza ficar mais fácil.

MedidaCaixa de inspeção (CI)Poço de visita (PV)
Profundidadeaté 1,00 mmais de 1,00 m
Baselado ou diâmetro de pelo menos 0,60 mdimensão mínima de 1,10 m (prismática) ou Ø interno mínimo de 1,10 m (cilíndrica)
Acesso—degraus de acesso ao interior
Tampa—removível, com perfeita vedação
Fundo—que assegure rápido escoamento
NBR 8160:1999, 5.1.5.3. O traço quer dizer que o item não fixa nada a mais para a caixa de inspeção.

Passo 4 · O que entra e o que sai (Tabela 7)

Numa caixa de inspeção entram: o pé de um tubo de queda, a saída de uma caixa de gordura, outra caixa (CI ou PV) e, no pavimento dela, a saída de um ambiente ou um ramal de esgoto. Gordura, nunca. A pia de cozinha vai a um tubo de gordura e a uma caixa de gordura (4.2.4.4); a CG retém a gordura e manda esgoto sem gordura para a CI. Esgoto secundário sem desconector também não entra: passa antes por uma caixa sifonada.

Da caixa sai um trecho só. Se ele chega a outra caixa, é subcoletor; se chega à destinação final, é o coletor predial. O diâmetro vem da Tabela 7, pela soma das UHC de tudo o que entra, andar por andar, e pela declividade do trecho; nunca menor que DN 100 nem que o maior tubo que chega na caixa. A conta inteira, com a Tabela 7 e a declividade, está no artigo Como dimensionar o subcoletor e o coletor predial pela NBR 8160 (Tabela 7). Aqui, só o que a caixa decide: quem entra e o mínimo de saída.

Detalhes que a norma exige

  • Caixa de inspeção com profundidade de até 1,00 m e base de pelo menos 0,60 m (5.1.5.3).
  • Poço de visita onde a profundidade passa de 1,00 m: dimensão mínima de 1,10 m, degraus de acesso, tampa removível com perfeita vedação e fundo com rápido escoamento (5.1.5.3).
  • No máximo 25 m entre dois dispositivos de inspeção; no máximo 15 m da ligação com o coletor público até o mais próximo; os ramais de bacia sanitária, caixa de gordura e caixa sifonada chegam a uma inspeção em no máximo 10 m.
  • Em edificação com mais de dois pavimentos, a caixa de inspeção a pelo menos 2,00 m do tubo de queda que cai nela.
  • Desvio do coletor predial e do subcoletor com ângulo central de até 45°, acompanhado de dispositivo de inspeção (4.2.5.1).
  • As pias de cozinha e as máquinas de lavar louça descarregam em tubo de queda próprio, com ventilação primária, até a caixa de gordura (4.2.4.4): a gordura não passa pela caixa de inspeção.
  • Na operação, as caixas de inspeção são abertas e limpas: o memorial do AquaFlow põe a limpeza semestral no plano de manutenção.

Erros comuns

  • Caixa funda chamada de CI. Passou de 1,00 m, é poço de visita: 1,10 m, degraus e tampa vedada.
  • Gordura na caixa de inspeção. A cozinha passa antes pela caixa de gordura; só o que sai dela chega à CI.
  • Trecho longo sem caixa. Mais de 25 m entre duas inspeções não se desentope. Mais de 15 m da última caixa até a rede pública, também não.
  • Bacia longe da inspeção. O ramal da bacia, da caixa de gordura e da caixa sifonada chega a uma caixa em até 10 m.
  • CI colada no tubo de queda em prédio de três pavimentos ou mais. “Mais de dois” inclui o de três: são 2,00 m, no mínimo.
  • Estreitar a saída. O trecho que sai da caixa nunca é menor que o maior tubo que chega nela, nem que DN 100.
  • Caixa que não termina. Toda caixa precisa, de caixa em caixa, chegar a uma destinação final.

Como o AquaFlow faz

No passo 3, no pavimento do chão, o + oferece caixa de inspeção, poço de visita e caixa de gordura; os nomes saem sozinhos, CI-1, PV-1, CG-1. A caixa é de um pavimento só: aparece e recebe nele. Você puxa até ela o pé do tubo de queda, a saída da caixa de gordura, a saída de um ambiente ou um RE do pavimento, e puxa a caixa até outra caixa ou até a destinação final. O app recusa gordura numa CI ou PV, recusa esgoto secundário sem desconector e não deixa fechar círculo; caixa que não chega à destinação é impedimento na Conferência. O PV é escolha sua: na rede ele é uma CI funda, recebe e cai nos mesmos lugares. O trecho que sai de cada caixa é dimensionado pela Tabela 7 e aparece no fluxograma com o Ø e a carga.

O memorial lista cada caixa com tipo, pavimento e o que recebe; repete as medidas do 5.1.5.3 (e o parágrafo do poço de visita, quando há um); repete as distâncias de 25, 15 e 10 m e, quando há edificação com mais de dois pavimentos, a de 2,00 m; e põe a limpeza semestral no plano de manutenção. O que o app não calcula: a profundidade de cada caixa, a posição em planta, as distâncias e quantas caixas o caminho precisa. Isso depende do desenho: vai como exigência no memorial, e o projetista confere na planta.

  1. 1O pé do TQ-1 na CI-1: o subcoletor de 30 UHC, a pelo menos 2,00 m do tubo
  2. 2O pé do TG-1 na CG-1, e a CG-1 na CI-1: a gordura fica retida antes da caixa de inspeção
  3. 3A CI-1, criada como caixa de inspeção: junta 52 UHC e manda o coletor predial DN 100 a 1%
  4. 4A destinação final: o sistema individual onde a rede termina

Referências

  • ABNT NBR 8160:1999 — Sistemas prediais de esgoto sanitário: projeto e execução. Item 5.1.5.3 (caixa de inspeção e poço de visita); 4.2.5 (dispositivos de inspeção e desvios); 4.2.4.4 (pias de cozinha até a caixa de gordura); 5.1.4 e Tabela 7 (o trecho que sai da caixa).
  • Como dimensionar o subcoletor e o coletor predial pela NBR 8160 (Tabela 7) — o artigo irmão, com a tabela inteira e a declividade.