Como dimensionar o tubo de queda pela NBR 8160 (Tabela 6)

A soma das UHC de todos os andares, a coluna pelo número de pavimentos, a Tabela 6 inteira, o mínimo do ramal que chega e o TQ e o TG de um prédio resolvidos.

Nesta página
  1. O que o tubo de queda faz
  2. A regra
  3. 1 · Somar as UHC que caem no tubo
  4. 2 · Contar os pavimentos do prédio
  5. 3 · O diâmetro mínimo (Tabela 6)
  6. 4 · Nunca menor que o ramal que chega
  7. Detalhes que a norma exige
  8. Erros comuns
  9. Como o AquaFlow faz
  10. Referências

O tubo de queda é a prumada vertical que leva o esgoto dos andares de cima até o térreo. Dimensionar é achar o diâmetro que dá conta de tudo o que cai nele, em todos os andares, pela Tabela 6 da NBR 8160. São quatro passos.

O que o tubo de queda faz

Em cada andar, os banheiros e as áreas de serviço mandam o esgoto por ramais até o tubo. O tubo desce reto, atravessando os pavimentos, e no pé entrega tudo a uma caixa de inspeção ou a um subcoletor, no térreo. Por isso ele é da edificação, não de um andar: o TQ-1 do 2º pavimento é o mesmo tubo do 1º, e a conta dele soma todos os andares de uma vez.

A cozinha tem um tubo só dela: o tubo de gordura (TG). As pias de cozinha e as máquinas de lavar louça descarregam em tubos de queda próprios, que seguem até a caixa de gordura (4.2.4.4). O TG é um tubo de queda como outro qualquer, só que recebe apenas gordura, e é dimensionado pela mesma Tabela 6.

O tubo é um só, da cobertura à caixa: cada andar do tipo soma +15 UHC, e no pé já descem 30. A tabela dava Ø75, mas o banheiro chega em Ø100, e o tubo nunca é menor que o ramal que entra.

A regra

DN = menor DN da Tabela 6 que leva ΣUHC, na coluna do prédio · nunca menor que o maior ramal que chega
NBR 8160:1999, 5.1.3.1 e Tabela 6. O resultado é um diâmetro nominal (DN), em milímetros.
  • ΣUHC — a soma das unidades de Hunter de contribuição de tudo o que cai no tubo, em todos os andares (passo 1).
  • coluna do prédio — a Tabela 6 tem duas colunas: prédio de até 3 pavimentos e prédio com mais de 3. O mesmo DN leva mais UHC no prédio alto (passo 2).
  • maior ramal que chega — o maior DN entre os ramais e as caixas que entram no tubo, em qualquer andar. O esgoto nunca passa para um tubo menor (passo 4).

Passo 1 · Somar as UHC que caem no tubo

Cada peça tem uma UHC (a bacia sanitária vale 6, o lavatório 1, o chuveiro 2). Ande pelos andares, de cima para baixo, e some a UHC de tudo o que chega ao tubo em cada um: as saídas dos ambientes, os ramais de esgoto que se juntam (RE) e as caixas sifonadas. Andar igual repete a conta: num pavimento tipo, multiplique pelo número de andares que ele representa.

ΣUHC = Σ (UHC que cai no tubo em cada andar)

Passo 2 · Contar os pavimentos do prédio

A coluna da Tabela 6 é do prédio, não do tubo: conte todos os andares da edificação, inclusive o térreo e os que o tubo nem atravessa. Até 3 pavimentos, primeira coluna; 4 ou mais, segunda. Num prédio alto o esgoto cai com mais folga de ar, e o mesmo DN leva mais.

Passo 3 · O diâmetro mínimo (Tabela 6)

Desça pela coluna do prédio até a primeira linha cujo UHC máximo seja maior ou igual à soma do passo 1. O DN dessa linha é o mínimo que a tabela dá.

DNUHC máx. — prédio de até 3 pavimentosUHC máx. — prédio com mais de 3 pavimentos
4048
501024
753070
100240500
1509601 900
2002 2003 600
2503 8005 600
3006 0008 400
NBR 8160:1999, Tabela 6 — dimensionamento de tubos de queda: UHC máximo por DN e número de pavimentos. Vale também para o tubo de gordura. Conferida contra o PDF da norma em 24/09/2026.
Acima de 6 000 UHC (prédio de até 3) ou 8 400 UHC (mais de 3) a tabela acaba: não existe tubo de queda maior que DN 300. A saída é dividir o que cai nele em dois tubos.

Passo 4 · Nunca menor que o ramal que chega

Olhe o maior DN entre tudo o que entra no tubo, em qualquer andar. Se for maior que o DN da tabela, o tubo sobe para ele: o esgoto não pode passar de um ramal largo para um tubo estreito. É o que acontece com quase todo tubo que recebe bacia sanitária: a saída do banheiro é Ø100, e Ø100 vira o mínimo do tubo.

Detalhes que a norma exige

  • Gordura em tubo próprio. Pias de cozinha e máquinas de lavar louça vão para o tubo de gordura (TG), com ventilação primária, até a caixa de gordura (4.2.4.4). O TQ não recebe gordura, e o TG não recebe outra coisa.
  • O pé do tubo. O TQ termina numa caixa de inspeção, num poço de visita ou na destinação final; o TG termina numa caixa de gordura. Tubo que recebe esgoto e não termina em lugar nenhum não fecha o projeto.
  • Desvios. Quando o tubo precisa sair do prumo, de preferência com curvas de raio longo ou duas curvas de 45° (4.2.4.1). Não há conta para o desvio: é regra de traçado, e o memorial a repete.
  • Ventilador primário. Se alguma ventilação liga no tubo, ele é prolongado acima da cobertura com o mesmo diâmetro. Isso é assunto da ventilação, não muda o DN do tubo.
  • Acima de DN 300 não há tubo de queda: divida em dois tubos.

Erros comuns

  • Somar um andar só. O tubo é da edificação: a UHC é de todos os andares que caem nele. No pavimento tipo, multiplique pelo número de andares que a planta representa.
  • Contar só os andares que o tubo serve. A coluna da Tabela 6 é pelo número de pavimentos do prédio inteiro.
  • Ficar com o DN da tabela quando chega um ramal maior. 30 UHC dá Ø75, mas uma bacia sanitária chega em Ø100: o tubo é Ø100.
  • Dimensionar o tubo de queda pela tabela do ramal. O ramal de esgoto tem tabela própria; o tubo de queda usa a Tabela 6. Os limites são outros.
  • Mandar a cozinha para o TQ. Gordura vai para o TG ou direto para a caixa de gordura, nunca para o tubo de queda.
  • Esquecer a caixa sifonada na soma. O tanque e a máquina de lavar roupas chegam ao tubo pela caixa sifonada; a UHC deles entra na soma do tubo do mesmo jeito.

Como o AquaFlow faz

No passo 3 (Prumadas e rede), você leva cada saída até um tubo, andar por andar; o tubo é um só na edificação. O app soma o que cai nele em cada planta, multiplica pelos andares dela, conta os pavimentos do prédio, lê a Tabela 6 na coluna certa e sobe o DN até o maior ramal que chega. O cartão do tubo mostra Ø · UHC que cai / UHC que o DN leva; nas opções, o degrau de cada andar e o total que já desce, e um aviso quando o Ø veio do ramal e não da tabela. Acima de DN 300 vira impedimento: “divida em dois tubos”. Gordura no tubo errado também trava. O memorial lista os tubos por edificação, com a coluna usada.

  1. 1O nome do tubo
  2. 2Onde o pé cai: a caixa ou a destinação, no térreo
  3. 3A declividade do subcoletor que sai do pé
  4. 4Os degraus andar por andar (+15 → 15, +15 → 30) e o Ø100 da Tabela 6, coluna de até 3 pavimentos

Referências