Como dimensionar o subcoletor e o coletor predial pela NBR 8160 (Tabela 7)
Os trechos horizontais da rede: a soma das UHC de cada trecho, a declividade, a Tabela 7 inteira, o diâmetro mínimo e um exemplo resolvido.
O subcoletor e o coletor predial são os trechos horizontais da rede de esgoto, no piso ou enterrados, que levam tudo o que desce dos tubos de queda até a rede pública ou o tratamento. Dimensionar é achar o diâmetro de cada trecho pela soma das UHC que passam por ele e pela declividade, na Tabela 7 da NBR 8160. São cinco passos.
O que o coletor faz
Dentro do prédio, o esgoto desce pelos tubos de queda e chega ao pavimento mais baixo. Dali para a frente ele corre deitado, de caixa em caixa, até sair do lote. Cada pedaço desse caminho é um trecho, e cada trecho tem um nome:
- Subcoletor — o trecho que sai do pé de um tubo de queda, de um tubo de gordura ou de uma caixa e chega a outra caixa. Recebe o que o tubo ou a caixa recebe e leva adiante.
- Coletor predial — o último trecho: sai da última caixa de inspeção e chega à destinação final, a rede pública de esgoto ou o sistema individual de tratamento.
A diferença é só onde o trecho chega. A conta é a mesma para os dois: o esgoto corre pela gravidade, então quanto mais inclinado o tubo, mais ele leva com o mesmo diâmetro. Por isso a Tabela 7 tem uma coluna para cada declividade.
A regra
- ΣUHC — a soma das unidades Hunter de contribuição de tudo o que passa pelo trecho: os aparelhos de todos os andares que descem por ele, mais o que os trechos de cima trazem.
- i — a declividade do trecho, em porcentagem: quantos centímetros o tubo desce a cada metro. A Tabela 7 tem quatro: 0,5%, 1%, 2% e 4%.
- DN — o diâmetro nominal do tubo, em milímetros. O coletor predial tem DN mínimo 100 (5.1.4.1).
- UHC máxima — o que a Tabela 7 diz que um DN leva naquela declividade. O DN do trecho é o menor cuja UHC máxima é maior ou igual à soma, nunca menor que o que chega nele (passo 5).
Passo 1 · Dividir a rede em trechos
Cada tubo de queda, cada tubo de gordura e cada caixa tem um trecho só saindo dele, e o trecho é de quem ele sai. Siga o esgoto: o pé do tubo cai numa caixa; a caixa de gordura cai numa caixa de inspeção; a caixa de inspeção cai em outra caixa ou na destinação final. Tudo o que chega à destinação é o coletor predial; o resto são subcoletores. A saída de um ambiente que cai direto numa caixa não é trecho de coletor: é ramal de esgoto, dimensionado pela Tabela 5.
Passo 2 · Somar o que chega em cada trecho
Para cada trecho, some as UHC de tudo o que cai no tubo ou na caixa de onde ele sai: os aparelhos dos ambientes que descem por ali, em cada andar (um pavimento tipo de 2 andares conta duas vezes), mais a soma dos trechos que chegam de cima. As UHC de cada aparelho vêm da Tabela 3. O que passa pela caixa de gordura continua contando: a gordura é esgoto também.
Passo 3 · Escolher a declividade
A declividade é de cada trecho. A norma manda ao menos 1% para DN 100 ou maior, 2% até DN 75, e no máximo 5% (4.2.3.2). A Tabela 7 trabalha com quatro valores, e nem todo DN admite todos: a 0,5% não existe DN 100 nem DN 150.
| Declividade | Quanto desce por metro | Vale para |
|---|---|---|
| 0,5% | 0,5 cm | DN 200 ou maior |
| 1% | 1 cm | DN 100 ou maior |
| 2% | 2 cm | DN 100 ou maior |
| 4% | 4 cm | DN 100 ou maior |
Passo 4 · Ler a Tabela 7
Entre na coluna da declividade e desça até a primeira linha cuja UHC máxima é maior ou igual à soma do trecho. O DN dessa linha é o diâmetro calculado. Se a soma passa da última linha, o trecho não cabe na tabela: aumente a declividade ou divida a rede em mais trechos.
| DN | 0,5% | 1% | 2% | 4% |
|---|---|---|---|---|
| 100 | — | 180 | 216 | 250 |
| 150 | — | 700 | 840 | 1 000 |
| 200 | 1 400 | 1 600 | 1 920 | 2 300 |
| 250 | 2 500 | 2 900 | 3 500 | 4 200 |
| 300 | 3 900 | 4 600 | 5 600 | 6 700 |
| 400 | 7 000 | 8 300 | 10 000 | 12 000 |
Passo 5 · Nunca menor que o que chega
O tubo não pode estreitar no caminho. Depois de ler a tabela, confira o diâmetro mínimo do trecho: o maior entre estes quatro. Se for maior que o da tabela, vale ele.
- DN 100, sempre. É o mínimo do coletor predial (5.1.4.1), e o app aplica a todo trecho, subcoletor incluído: a Tabela 7 começa nele.
- O DN do tubo de queda (ou do tubo de gordura) de onde o trecho sai.
- A saída da caixa de gordura, quando o trecho sai de uma: cada modelo de CG tem um diâmetro de saída.
- O maior diâmetro que cai na caixa de onde o trecho sai: as saídas de ambiente e os ramais que chegam nela, e os trechos que vêm de cima, de outros tubos e caixas.
Detalhes que a norma exige
- Coletor predial com DN mínimo 100 (5.1.4.1).
- Declividade constante em cada trecho: mínimo de 2% até DN 75 e de 1% de DN 100 em diante; máximo de 5% (4.2.3.2).
- Mudança de direção no trecho horizontal com peça de ângulo central de até 45° (4.2.3.3); desvio do coletor e do subcoletor de até 45°, com dispositivo de inspeção junto (4.2.5.1).
- Dispositivos de inspeção a no máximo 25 m um do outro, e a no máximo 15 m da ligação do coletor predial com o coletor público. Os ramais de bacia sanitária, caixa de gordura e caixa sifonada chegam a uma inspeção em no máximo 10 m.
- Em edificação com mais de dois pavimentos, a caixa de inspeção fica a pelo menos 2,00 m do tubo de queda que cai nela.
- Caixa de inspeção com profundidade de até 1,00 m e base de pelo menos 0,60 m; mais fundo que isso, poço de visita, com dimensão mínima de 1,10 m, degraus e tampa vedada (5.1.5.3).
Erros comuns
- Contar o pavimento tipo uma vez só. Cada andar que descarrega no tubo soma de novo: dois andares iguais, duas vezes.
- Deixar a gordura de fora. O que sai da caixa de gordura continua contando no subcoletor dela e no coletor predial.
- DN 100 ou 150 a 0,5%. A Tabela 7 não admite: a 0,5% o menor DN é 200.
- Estreitar o coletor. O trecho de baixo nunca é menor que o tubo, a caixa ou o trecho que chega nele.
- Coletor predial de DN 75. O mínimo é 100, por menor que seja a casa.
- Reduzir os banheiros onde não cabe. O 5.1.4.2 é só para prédio residencial de 4 pavimentos ou mais, só no subcoletor e no coletor: nunca no ramal nem no tubo de queda.
Como o AquaFlow faz
Você monta a rede no passo 3: puxa o pé de cada tubo até uma caixa, a caixa de gordura até a caixa de inspeção e a caixa de inspeção até a destinação final. Cada tubo e cada caixa ganha um trecho de saída a 1%; clique nele para escolher 0,5%, 1%, 2% ou 4%. O app soma o que chega em cada trecho, andar por andar, aplica o diâmetro mínimo, lê a Tabela 7 e mostra o Ø e a carga no fluxograma. Trecho que passa da tabela é impedimento na Conferência: “aumente a declividade ou divida”. Em edificação do tipo prédio ou casa com 4 andares ou mais, aplica a redução do 5.1.4.2 e avisa na tela. O memorial sai com a tabela dos trechos: tipo, UHC, declividade, DN e capacidade. As declividades mínimas, os desvios e as distâncias das caixas dependem do desenho: o app não as confere, e vão como exigência no memorial.
- 1O pé do TQ-1: o subcoletor TQ-1 → CI-1, com 30 UHC
- 2A CG-1: recebe o TG-1 e a cozinha do salão; dela sai o subcoletor CG-1 → CI-1, com 15 UHC
- 3A CI-1: junta 52 UHC; o trecho que sai dela é o coletor predial, DN 100 a 1%
- 4A destinação final: o sistema individual onde o coletor predial chega
Referências
- ABNT NBR 8160:1999 — Sistemas prediais de esgoto sanitário: projeto e execução. Item 5.1.4 e Tabela 7 (subcoletor e coletor predial); 4.2.3 (declividades e mudanças de direção); 4.2.5 e 5.1.5.3 (inspeção e caixas).
- ABNT NBR 8160:1999, Tabela 3 — as UHC de cada aparelho que entram na soma: O que é UHC: a unidade Hunter de contribuição e a Tabela 3 da NBR 8160.