Quanto esgoto uma pessoa produz por dia: a Tabela 1 da NBR 17076

A contribuição diária de esgoto (C) e de lodo fresco (Lf) por tipo de ocupação, como contar as pessoas, somar os usos e o limite de 12 000 L/dia.

Nesta página
  1. O que é a contribuição
  2. A fórmula
  3. A Tabela 1 inteira
  4. 1 · Contar as pessoas
  5. 2 · Ajustar C e Lf
  6. 3 · Somar os grupos
  7. O limite de 12 000 L/dia
  8. Erros comuns
  9. Como o AquaFlow faz
  10. Referências

Todo o tratamento de esgoto começa com uma pergunta: quantos litros chegam por dia? A resposta sai da Tabela 1 da NBR 17076, que diz quanto esgoto e quanto lodo cada pessoa produz, conforme o uso do prédio.

O que é a contribuição

Contribuição é o esgoto que um prédio manda para o tratamento num dia. A norma não pede medição: ela dá um número por pessoa, por tipo de uso, e você multiplica pelas pessoas. São quatro letras.

  • C — a contribuição de esgoto de uma pessoa num dia, em litros. Numa residência de padrão médio, 130 L. É toda a água que vira esgoto: vaso, chuveiro, pia, tanque, máquina.
  • Lf — o lodo fresco de uma pessoa num dia, em litros. É a parte sólida que afunda no tanque séptico; só entra na conta do tanque, para saber quanto lodo se acumula entre limpezas.
  • N — quantas pessoas. Em alguns usos a tabela conta outra coisa: refeições, lugares, passageiros ou bacias sanitárias. É a unidade de cada linha.
  • Q — a contribuição diária do prédio inteiro, em litros por dia. É o número que o tanque, o filtro, o sumidouro e a vala usam.
O mesmo Q percorre a cadeia inteira: no tanque e no filtro ele vira volume; no sumidouro ou na vala, área de infiltração. Só o lodo para no tanque.

A tabela tem dois grupos. Ocupantes permanentes são os que moram ou dormem no lugar: casa, hotel, internato, asilo, quartel. Todo o esgoto da pessoa, do dia inteiro, fica ali. Ocupantes temporários passam parte do dia: fábrica, escritório, escola de meio período, bar, cinema. Por isso o C deles é bem menor: um escritório conta 50 L por pessoa, uma casa 130 L.

A fórmula

Q = Σ N · C (L/dia)
NBR 17076:2024, Tabela 1. Um grupo é um conjunto de pessoas com a mesma ocupação; a obra inteira é a soma dos grupos.
  • Q — a contribuição diária, em litros por dia.
  • N — as pessoas (ou refeições, lugares, passageiros, bacias) de um grupo.
  • C — a contribuição por unidade e por dia, da linha da Tabela 1 que descreve esse grupo.
  • Σ — a soma: quando o prédio tem mais de um uso, cada uso é um grupo e Q é a soma de todos.

O lodo segue a mesma lógica, com Lf no lugar de C: Σ N · Lf é o lodo fresco por dia. Ele não entra no sumidouro nem na vala; só no tanque séptico, multiplicado pela taxa de acumulação K.

A Tabela 1 inteira

Primeiro os ocupantes permanentes. Para os de residência, o padrão da construção decide a linha.

OcupaçãoUnidadeC (L/dia)Lf (L/dia)
Residência padrão altopessoa1601
Residência padrão médiopessoa1301
Residência padrão baixopessoa1001
Hotel (exceto banheira, lavanderia e cozinha)pessoa1001
Hotel com cozinha e lavanderia, exceto banheirapessoa2401
Hotel com cozinha, lavanderia e banheirapessoa3601
Alojamento provisóriopessoa801
Orfanato, asilopessoa1201
Escola (internato)pessoa1501
Presídiopessoa2401
Quartelpessoa1201
Área ruralpessoa1001
NBR 17076:2024, Tabela 1, parte 1 — ocupantes permanentes: contribuição diária de esgoto (C) e de lodo fresco (Lf), por unidade e dia. Conferida contra a norma em 05/10/2026.

Depois os temporários. Repare na unidade: restaurante conta refeições, cinema conta lugares, sanitário público conta bacias.

OcupaçãoUnidadeC (L/dia)Lf (L/dia)
Fábrica em geralpessoa700,3
Escritóriopessoa500,2
Edifício público ou comercialpessoa500,2
Escola de meio períodopessoa500,2
Escola de período integralpessoa1000,3
Crechepessoa500,2
Barpessoa60,1
Restaurante e similaresrefeição250,1
Cinema, teatro, templo, igreja e locais de curta permanêncialugar20,02
Ambulatóriopessoa250,2
Estação ferroviária, rodoviária e metroviáriapassageiro250,2
Sanitário públicobacia sanitária4804
NBR 17076:2024, Tabela 1, parte 2 — ocupantes temporários. As duas linhas marcadas (residência padrão médio e restaurante) são as dos exemplos deste artigo. Conferida contra a norma em 05/10/2026.

Passo 1 · Contar as pessoas

Ache a linha que descreve o uso e conte na unidade dela. É a quantidade de projeto, a que o prédio foi feito para receber, não a de hoje: um prédio novo começa vazio e enche.

  • Pessoa: os moradores, hóspedes, alunos ou funcionários que o prédio comporta. Numa residência, conte os moradores que os dormitórios comportam; num prédio, some os apartamentos.
  • Refeição: quantas refeições o restaurante serve por dia, não quantas mesas tem. Um salão de 40 lugares que serve almoço e jantar com duas rodadas cada faz 160 refeições.
  • Lugar: os assentos do cinema, do teatro ou da igreja, mesmo que não lotem todo dia.
  • Passageiro: os que passam pela estação num dia.
  • Bacia sanitária: conte os vasos do sanitário público. Cada um vale 480 L por dia, o uso de muita gente.

Quando a obra tem mais de um uso, não escolha uma linha só. Faça um grupo por uso, cada um com a sua ocupação e o seu N, e some no passo 3. O térreo comercial de um prédio residencial é outro grupo; a casa do caseiro ao lado da fábrica também.

Passo 2 · Ajustar C e Lf

Na maioria dos projetos, C e Lf são os da tabela e pronto. Mas a tabela é uma média, e o projetista pode ter motivo para trocar: um condomínio com medição de água que mostra consumo maior, um alojamento com cozinha, uma pousada que não é bem hotel. Nesses casos, adote o seu C (e o seu Lf) e diga no memorial de onde veio. Um número sem justificativa não é projeto.

Se o uso não está na tabela (uma pousada contada por leito, uma clínica com internação), o caminho é o mesmo: um uso seu, com unidade, C e Lf seus, e a fonte no memorial.

Trocar C muda tudo o que vem depois: o volume do tanque, o do filtro, a área do sumidouro. A favor da segurança, não diminua o C da tabela sem uma medição que justifique; aumentar é sempre aceitável.

Passo 3 · Somar os grupos

Multiplique N por C em cada grupo e some. O mesmo para o lodo, com Lf. O resultado é o que entra no tanque séptico (ou no biodigestor) e segue para o resto do sistema.

O limite de 12 000 L/dia

A NBR 17076 é a norma dos sistemas de menor porte: ela vale até 12 000 L/dia de contribuição. Acima disso o tanque séptico, o filtro, o sumidouro e a vala desta norma não são a solução: o sistema sai do alcance desta norma.

Em residência de padrão médio, 12 000 L/dia dão 92 pessoas (11 960 L/dia). Com 93 já passa (12 090 L/dia). Um prédio de 40 apartamentos com 2 pessoas em cada (80 pessoas, 10 400 L/dia) está dentro; o mesmo prédio com um restaurante grande no térreo pode não estar.

Erros comuns

  • Contar mesas em vez de refeições. A unidade do restaurante é refeição por dia. Um salão de 40 lugares que gira três vezes faz 120 refeições, e 120 × 25 = 3 000 L/dia.
  • Uma linha só para um prédio misto. Lojas no térreo não são “residência”. Um grupo para cada uso, e a soma.
  • Contar os moradores de hoje. O prédio é dimensionado para o que comporta, não para quem já mudou.
  • Confundir os hotéis. São três linhas: 100, 240 ou 360 L por pessoa, conforme tem cozinha, lavanderia e banheira. A diferença é de mais de três vezes.
  • Baixar o C sem medição. Menos que a tabela só com dados do consumo real, e ditos no memorial.
  • Esquecer o Lf. No tanque séptico, o lodo é uma parcela do volume. Em usos temporários o Lf é pequeno (0,1 a 0,3), mas num sanitário público são 4 L por bacia por dia.
  • Passar de 12 000 L/dia e seguir em frente. Acima do limite, a norma não cobre; não adianta dimensionar um tanque gigante.

Como o AquaFlow faz

Cada edificação da obra nasce com um grupo, já em “Residência padrão médio”: numa casa, com 5 pessoas; num prédio, você informa o N (a pendência avisa enquanto está em zero). A janela Consumos (tutorial A tela do Tratamento) mostra todos os grupos, por edificação, com a ocupação, a quantidade, C, Lf e a vazão de cada um; a quantidade se muda ali mesmo. Clique numa linha para abrir o grupo e trocar a ocupação: a Tabela 1 inteira aparece por categoria, com busca, e C e Lf podem ser ajustados por grupo. “Uso personalizado” é para o que não está na tabela, com nome, unidade, C e Lf seus; o memorial diz que o número é do projetista. Um uso seu pode ficar guardado na conta (Guardar nos meus usos) e aparece em todo projeto.

Um prédio misto é Adicionar grupo na mesma edificação. Uma edificação que vai para a rede pública ou que outro projetista trata sai da conta com Não entra no tratamento. A soma de tudo é o Obra inteira, no rodapé; e cada tanque séptico ou biodigestor confere o limite de 12 000 L/dia pelo que chega nele.

  1. 1A ocupação de cada grupo, da Tabela 1
  2. 2Adicionar grupo: outro uso na mesma edificação
  3. 3Obra inteira: a soma de todos os grupos

Referências

  • ABNT NBR 17076:2024 — Sistemas de tratamento de esgoto de menor porte. Tabela 1 (contribuição diária de esgoto e de lodo fresco).
  • ABNT NBR 7229:1993 (substituída) — Projeto, construção e operação de sistemas de tanques sépticos: a Tabela 1 de onde a da 17076 veio.