Como dimensionar um tanque de evapotranspiração (fossa verde) pela NBR 17076

Só a água do vaso, a área pelo número de pessoas ou pelo balanço da evapotranspiração e da chuva, as medidas do tanque e o que a norma exige na construção, com exemplos.

Nesta página
  1. O que o tanque faz
  2. Quando usar
  3. 1 · A água do vaso
  4. 2 · A área pelo número de pessoas
  5. 3 · A área pelo balanço hídrico
  6. 4 · As medidas do tanque
  7. Direto do vaso ou depois do tanque séptico
  8. Detalhes que a norma exige
  9. Erros comuns
  10. Como o AquaFlow faz
  11. Referências

O tanque de evapotranspiração, a fossa verde, é um destino final que não devolve o esgoto ao solo: devolve ao ar. É um tanque impermeável, cheio de camadas de material filtrante, com plantas por cima que puxam a água pelas raízes e a soltam pelas folhas. Ele recebe só a água do vaso. Dimensionar é achar a área da superfície, onde ficam as plantas. São quatro passos.

O que o tanque faz

O esgoto entra por um tubo de 100 mm numa câmara central no fundo do tanque: um tubo de 500 mm furado, na norma, ou um túnel de pneus usados, na prática. Ali ele é digerido sem oxigênio, se espalha pela camada de fundo, de material grosso, e sobe pelas camadas de cima até as raízes. No caminho, a matéria orgânica se degrada, e as plantas aproveitam os nutrientes. O objetivo principal é reduzir o volume do esgoto (M.1).

Quando usar

  • Em residência unifamiliar de até cinco moradores (M.1).
  • Com o encanamento do vaso separado do resto das águas: a pia, o chuveiro, o tanque e a máquina vão para o círculo de bananeiras.
  • Em local aberto, ventilado e ensolarado, com área disponível e alta taxa de evapotranspiração (M.1, M.6).
  • Convém um sistema complementar de infiltração para o que não evapotranspirar (M.1): na prática, o extravasor do tanque vai para o círculo de bananeiras.

Passo 1 · A água do vaso

A norma dimensiona pela contribuição da bacia sanitária (M.2). A vazão vem da concessionária, de 80 % do consumo medido ou de literatura específica (5.11). A literatura usa 4 descargas por pessoa por dia, de 8 L cada (Galbiati, 2009). A descarga vai de 7 a 20 L, conforme o vaso.

Q = N × d × v (L/dia)
N pessoas, d descargas por pessoa por dia, v litros por descarga.

Passo 2 · A área pelo número de pessoas

Na falta de dados da planta e da chuva do local, a norma dá uma regra simples: pelo menos 2,00 m² de superfície por pessoa que contribui (M.2 b). Esse é também o piso do passo 3: o balanço nunca dá menos do que isso.

A = N × 2,00 (m²)
NBR 17076:2024, M.2 b.

Passo 3 · A área pelo balanço hídrico

É o que a norma prefere (M.2): dimensionar pela evapotranspiração da planta e pela chuva do local, garantindo que todo o efluente evapotranspire. Em um ano, a superfície tem de devolver ao ar o que chega mais a chuva que cai nela:

A = Q × 365 / (ET − P)
A leitura do M.2 em conta: A × ET ≥ Q × 365 + A × P. Em mm/ano, ET e P são litros por metro quadrado por ano.
  • Q — a água do vaso, do passo 1, em litros por dia.
  • ET — a evapotranspiração do tanque, em mm/ano. Há dois jeitos de achar. Pela ETo do local (a evapotranspiração de referência, do INMET ou do balanço hídrico climatológico da cidade) vezes 2,71, o coeficiente do tanque medido por Galbiati (2009). Ou pela ET da planta, direto: as plantas do tanque passam de 1 500 mm/ano (M.5).
  • P — a chuva média anual do local, em mm/ano.
Se a chuva for maior que a evapotranspiração do tanque, ele não seca: escolha outra planta ou outro destino. E com a casa inteira no tanque (650 L/dia no lugar de 160), a área quadruplica: por isso só vai a água do vaso.

Passo 4 · As medidas do tanque

Escolha a largura e a profundidade dentro das faixas e ache o comprimento que dá a área. Passou de 10 m, divida em mais tanques: a área que conta é a soma das superfícies.

MedidaFaixaItem
Profundidade1,00 a 1,50 mM.2 a
Largura1,00 a 2,00 mM.2 a
Comprimento de cada tanqueaté 10 mM.2 c
Fundo1 % de caimento para a saída (convém)M.2 d
NBR 17076:2024, M.2.

Direto do vaso ou depois do tanque séptico

Na prática, o vaso liga direto no tanque, e ele faz as três etapas num tanque só: a câmara central recebe o esgoto e faz a digestão sem oxigênio (o tratamento primário), as camadas filtram o esgoto enquanto ele sobe (o secundário) e as plantas devolvem a água ao ar (a destinação final) (Galbiati, 2009; Figueiredo, Santos e Tonetti, 2018).

O título do anexo M fala em “efluente tratado”, mas nenhum item proíbe a ligação direta, e o próprio anexo descreve o tanque recebendo o esgoto do vaso: ele é dimensionado pela contribuição da bacia sanitária (M.2), o esgoto chega por tubo de 100 mm até a câmara central, acessível para a remoção de lodo (M.3.2 b), e o lodo sai a cada 2 anos (M.6 d). Lodo assim só existe com o esgoto do vaso chegando direto. Também se pode pôr um tanque séptico antes; aí ele recebe só a água do vaso e é dimensionado com ela.

Detalhes que a norma exige

  • Fundo e paredes estanques, projetados para a estabilidade e os esforços (M.3.1).
  • Entrada por tubo de 100 mm até a câmara central, acessível da superfície para limpeza; a câmara é um tubo de 500 mm com furos de 20 mm (M.3.2 b, c).
  • Saída de pelo menos 50 mm, de dentro da câmara, 0,10 m abaixo da entrada, para o eventual excesso (M.3.2 e).
  • Camadas: grossas no fundo, finas e médias no meio e o solo da escavação em cima (M.3.3).
  • Sobrelevação do solo contra a chuva; em encosta, acompanhando as curvas de nível (M.4).
  • Plantas de raízes pouco profundas e evapotranspiração média anual acima de 1 500 mm (M.5).
  • Nenhuma árvore a menos de 3,0 m; nada de plantas invasoras; remoção do lodo a cada 2 anos (M.6).

Erros comuns

  • Mandar a casa inteira para o tanque. A água do banho, da pia e da lavanderia multiplica a área. O tanque é para a água do vaso; o resto vai para o círculo de bananeiras.
  • Usar a ETo como se fosse a ET do tanque. A ETo é a de referência do local; a do tanque é 2,71 vezes maior. Trocar uma pela outra dá uma área quase três vezes maior (ou, ao contrário, menor do que deveria).
  • Usar menos de 2 m² por pessoa. É o mínimo da norma, mesmo quando o balanço dá menos.
  • Tanque de 15 m. Cada um tem até 10 m: divida em dois.
  • Em prédio ou comércio. O anexo M é para residência unifamiliar de até cinco moradores.
  • À sombra ou embaixo de árvores. Sem sol e vento a planta não evapotranspira, e as raízes das árvores danificam o tanque.

Como o AquaFlow faz

Na destinação final do fluxograma do Tratamento (tutorial Dimensionar as unidades), o tanque de evapotranspiração recebe o grupo da casa direto (o vaso) ou o filtro e o tanque séptico. Na cadeia que termina nele, o app conta só a água do vaso em todas as unidades: as pessoas × as descargas × os litros. Na janela, você escolhe o método (2 m² por pessoa ou o balanço, com a ETo do local × 2,71 ou a ET da planta, e a chuva), a largura, o comprimento, a profundidade e quantos tanques. O app faz a conta em blocos até a área mínima, compara com a superfície adotada e sugere medidas que já atendem. O círculo de bananeiras, com a água cinza, ganha um cartão próprio embaixo do tanque. Ligado direto, o cartão do tanque se estica pelas três faixas do fluxograma, e o memorial o põe numa seção própria, “Tratamento e destinação final no mesmo tanque”. Fora das faixas da norma, ele avisa no campo; mais de cinco moradores, uso que não é residência ou planta abaixo de 1 500 mm/ano, ele avisa nos pontos para resolver.

  1. 1Água do vaso: descargas × litros, por pessoa
  2. 22 m² por pessoa ou Balanço hídrico: como sai a área mínima
  3. 3Medidas de cada tanque: largura de 1,00 a 2,00 m
  4. 4Mínimo: a área da superfície que a norma pede
  5. 5Adotado: a soma das superfícies dos tanques

Referências

  • ABNT NBR 17076:2024 — Projeto de sistema de tratamento de esgoto de menor porte — Requisitos. Anexo M (tanque de evapotranspiração) e item 5.11 (vazão para dimensionamento).
  • GALBIATI, A. F. Tratamento domiciliar de águas negras através de tanque de evapotranspiração. Dissertação (Mestrado), UFMS, Campo Grande, 2009.
  • SILVA, R. W.; SANTOS, G. O. Dimensionamento e construção de tanque de evapotranspiração para o tratamento de esgoto sanitário. TCC, UniRV, Rio Verde, 2017.
  • FIGUEIREDO, I. C. S.; SANTOS, B. S. C.; TONETTI, A. L. Tratamento de esgoto na zona rural: fossa verde e círculo de bananeiras. Campinas: Biblioteca Unicamp, 2018.
  • GONÇALVES, F.; RODRIGUES, P. Tanque de Evapotranspiração (TEvap). Projeto Quilombo Vivo, CEDEFES, Belo Horizonte, 2020.